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domingo, 6 de junho de 2010

História da Casa de Cultura Mário Quintana



A cidade e o Hotel
Nas primeiras décadas do século vinte, Porto Alegre era uma cidade praticamente horizontal e as torres da Igreja das Dores dominavam a paisagem em meio a um casario modesto.
Mas era tempo de transformações e a influência da arquitetura colonial portuguesa diminuía, sendo substituída por determinado estilo, que misturava elementos da arquitetura germânica a diversas outras tendências européias. Surgiam prédios públicos novos e imponentes como os do Correios e Telégrafos e Delegacia Fiscal. Também na arquitetura privada, construções recentes redesenhavam o perfil da cidade, como as da Confeitaria Rocco e Cervejaria Bopp.
O estímulo a uma arquitetura mais imponente, no caso dos prédios públicos, também espelhava o desejo da classe dirigente política de nosso Estado em demonstrar seu poder. No caso da iniciativa privada, prédios cheios de detalhes e grandiosidade eram a forma concreta de espelhar o sucesso e a solidez do empreendimento.
Uma razão importante para essas alterações era a recente movimentação da economia rio-grandense, boa parte motivada pelo processo de industrialização de São Paulo, que necessitava do abastecimento de gêneros alimentícios fornecidos por nossa região colonial. Porto Alegre dinamizava sua economia, já que sua localização, próxima a uma bacia fluvial e conectada ao interior por uma rede ferroviária, tornava-a elo privilegiado de ligação entre sul e centro do país.
A principal via da cidade, a Rua da Praia, transformava-se no local em que ia toda a gente que quisesse ver e ser vista. Uma grande quantidade de bares, casas de chá e cafés oferecia-se às pessoas que descansavam ou simplesmente apreciavam o "footing". É nesse sentido que pode-se compreender o crescimento da hotelaria em Porto Alegre.
A potencialidade do setor foi percebida pelo empresário Horácio de Carvalho, homem ligado ao ramo da importação e exportação, que em 27.5.1913, por intermédio do processo 1352/13, entrou na Intendência Municipal com um pedido de licença para pagamento de impostos referentes à construção do edifício do futuro hotel. A seguir, contratou a firma do engenheiro Rudolf Ahrons, ficando o projeto a cargo de seu mais importante funcionário. Chamava-se Theodor Alexander Josef Wiederspahn. arquiteto, nascido em Wiesbaden, Alemanha, morando no Brasil desde 1908. Projetou a Delegacia Fiscal, atual MARGS, Correios e Telégrafos, hoje Memorial do Rio Grande, Secretaria da Fazenda, Edifício Ely, atual Tumelero, Cervejaria Bopp, depois Brahma, e muitos outros prédios e residências que marcaram época.
O projeto do Hotel foi considerado muito ousado para a cidade, pois a idéia das passarelas suspensas sobre a via pública era inédita por aqui.
Primeiro grande edifício de Porto Alegre em que se utilizou concreto armado, foi concebido para ocupar os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro. Interligando a construção, grandes passarelas, embasadas por arcadas e, contendo terraços, sacadas e colunas.
Em 1916 iniciaram-se as obras, concluindo em 1918 a primeira parte do edifício, que atualmente abriga o Acervo e o Memorial. Em 1926 foi projetada a parte leste. Ao finalizar a obra, em 1933, o Majestic possuía sete pavimentos na ala leste e cinco na parte oeste. O estilo do prédio mistura formas, procurando dar uma impressão de grandiosidade.
Os tempos aúreos do Majestic
Inicialmente administrado por Horácio de Carvalho, a vida do Hotel Majestic iniciou realmente em 1923, com o arrendamento do prédio aos irmãos Masgrau, imigrantes espanhóis que estabeleceram-se no Brasil e ligaram-se ao ramo da importação e exportação.
O Hotel transformou-se em um marco histórico no desenvolvimento e modernização de Porto Alegre, com uma localização privilegiada, quase às margens do Guaíba que, na época, ia até onde atualmente é a Av.Mauá. Um trapiche trazia diretamente os hóspedes ao Hotel.
Os anos trinta e quarenta foram os de maior sucesso do Majestic. Porto Alegre dispunha de muitos atrativos e várias companhias de revista por aqui transitavam, seguindo depois para Montevideo e Buenos Aires. O Hotel hospedou desde políticos importantes como Getúlio Vargas a vedetes famosas como Virginia Lane e artistas como Francisco Alves, na época o maior cantor do Brasil.
O caso de uma época
Nos anos cinqüenta e sessenta iniciou-se o processo de desgaste do Hotel. A nova administração, passou a não selecionar os hóspedes e logo as pessoas de alto poder aquisitivo ou prestígio foram substituídas por caixeiros-viajantes.
O período denominado de "desenvolvimentista" não foi bom para o Majestic, que, vítima da desfiguração que atingiu o centro da maioria das cidades, ainda sofria a concorrência de novos hotéis, com instalações mais modernas e amplas.
Além de tudo, a antiga localização, antes privilegiada, agora era problemática. As elites saíram do centro e foram instalar-se em bairros diferenciados. O centro tornou-se local de serviços diurnos, com um comércio agitado que fechava suas portas à noite, quando a rua dos Andradas transformava-se em local perigoso. As pessoas não viajavam mais nos vapores, o muro da Mauá impedia o acesso livre ao porto e a construção da nova rodoviária proporcionara o surgimento de vários hotéis a sua volta.
Lutadores de "cath" e luta livre substituíram antigos hóspedes, além de solteiros, viúvos, boêmios e poetas solitários como Mario Quintana, que ali hospedou-se de 1968 a 1980.
Ao final, dos trezentos quartos, passou a ter funcionando pouco menos de cem. O edifício foi posto à venda na década de setenta e, em dez anos, apenas dois interessados surgiram, os quais desanimaram frente às reais condições do prédio.

Da pressão popular surge a Casa de Cultura Mario Quintana
No final dos anos setenta surgiu toda uma discussão entre a população sobre nosso patrimônio cultural. Uma das conseqüências foi a realização de um levantamento dos prédios antigos, com o fim de resgatar e preservar sua arquitetura.
A humanização da área central da cidade também entrou na discussão e vários prédios foram tombados pelos órgãos do patrimônio histórico.
Os prefeitos, a partir de 1983, propuseram projetos para remodelar a área central e o Majestic foi lembrado nessa movimentação da população pela valorização de sua história. Mas antes disso muito se perdeu. Em 1980, por exemplo, foi realizado um leilão com os móveis e utensílios do Hotel, que hoje encontram-se dispersos e em mãos de particulares.
O prédio foi adquirido pelo Banrisul, em julho de 1980, no governo Amaral de Souza. O negócio foi feito para que o governo do Estado pudesse comprá-lo, já que não tinha verba suficiente para o valor real. Em 29.12.1982 o governo do Estado adquiriu o Majestic do Banrisul. Em seguida, no ano de 1983, o Majestic foi arrolado como prédio de valor histórico e iniciada sua transformação em Casa de Cultura.
No mesmo ano, através da lei 7803 de 08 de julho, recebeu a denominação de Mário Quintana, passando a fazer parte da Subsecretaria de Cultura do Estado.
A obra de transformação física do Hotel em Casa de Cultura, entre elaboração do projeto e construção, desenvolveu-se de 1987 a 1990. O projeto arquitetônico foi assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski, os quais tiveram o desafio de planejar 12.000 m2 de área construída para a área cultural, em 1.540m2 de terreno. Em 25 de setembro de 1990 a casa foi finalmente aberta.

As obras de arte da CCMQ
Várias obras de arte compõem o acervo fixo da CCMQ. No andar térreo, acima da entrada da sala Paulo Amorim, está um painel de Jailton Moreira. Irineu Garcia, no térreo da ala oeste, homenageia pessoas e empresas que contribuíram para a metamorfose do Majestic em Casa de Cultura, numa escultura marco. Na altura do segundo andar, está a escultura de Xico Stockinger, chamada de "O guerreiro". Entre os andares, na altura do quarto pavimento, próximo ao auditório Luis Cosme, está uma pintura de Karin Lambrecht, denominada "Do outro lado do horizonte". No quarto andar, na Discoteca Pública Natho Henn, Mauro Fuke apresenta o trabalho em madeira "Os tentáculos". No saguão do Teatro Bruno Kiefer, existe um painel de Regina Silveira, "Auditorium". No interior da Biblioteca está a escultura de Carlos Cavalcanti, denominada "O índio".

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